
Como o apoio familiar pode determinar o rumo de uma pessoa! É incrível!
Dizem que os filhos são o espelho dos pais e isso é bem verdade. E que podem fazer os filhos quando a família não é a melhor? Nada. E que culpa têm eles se não forem tão correctos, tão inteligentes, tão cultos, tão como todas aquelas coisas que tornam uma pessoa numa boa pessoa, como poderiam ser, se tivessem tido outra família? Nenhuma. A verdade é que nós não podemos escolher qual a melhor família para nós, alguém ou alguma força maior faz o favor de fazer essa escolha por nós! Se é justo? Talvez não. E se, por acaso, alguém não a quiser, só poderá acomodar-se porque família só há uma, a que nos foi entregue, mesmo antes de nascermos, e mais nenhuma. (Apesar de já ser possível "divorciar-mo-nos" dos nossos parentes, mas que agora não vem ao caso em questão...)
Mas nada é mais injusto do que termos noção do quão incorrectos os nossos parentes são, que determinadas acções não têm pés nem cabeça, que por vezes são tão incoerentes e, além destas acções terem consequências infelizes em nós, os filhos (nós), inevitavelmente tornam-se iguais a eles, aos seus pais. Por mais que tentemos mudar, há sempre algo que nos faz pensar e agir igual a eles, os nossos pais. Algo que está dentro de nós, entranhado em nós, pelo qual sentimos nojo e repulsa, obriga-nos a seguir o que já está escrito e pré-definido à gerações e gerações. Depois não nos aceitamos tal como somos e sofremos sozinhos, até ao dia em que não aguentamos mais e explodimos. E aí? Que acontece? Os psicólogos ficam horripilante(mente) felizes, "Clieeentes... AHAHAHAH".
Há excepções, como em tudo, as quais merecem avalanches de aplausos (de pé), pela enorme força que tiveram em fugir às suas origens, de se terem feito melhores pessoas, apesar de tudo aquilo que tinham, ou têm (porque talvez nunca saía), entranhado dentro delas. Mas essas excepções só servem para confirmar a regra! Infelizmente...
Pergunto-me se vou conseguir ser melhor para os meus filhos do que os meus pais são para mim, se vou conseguir evitar cair nos mesmos erros que eles não conseguiram evitar. Porque, apesar de tudo, ser pai e ser mãe é uma aventura e tanto! Pois nenhum de nós vem acompanhado de manual, da forma como nos adaptámos ao mundo para o qual abrimos os olhinhos pela first time, também eles, os nossos pais, tentam adaptar-se a nós, tal e qual, um dia, cada um de nós (ou não) se terá de adaptar às suas crias. Mas isto não é justificação para todo o tipo de erros que os pais constantemente cometem, porque a verdade é que os cometem a toda a hora, uns a trás dos outros, isto porque há sempre um momento, um segundo em milhões deles (chamemos-lhe o segundo do veredicto final), em que eles, os pais, podem parar e pensar se o que, dentro de milésimas de segundo, vão decidir, fazer ou dizer está ou não correcto e quais serão as consequências dessa acção, no presente e no futuro, próximo, da sua cria. Mas quase nunca dão o devido valor ao segundo do veredicto final e a justiça tem vindo a favorecer o favorecido em vez do desfavorecido, tal e qual aquela justiça dos tribunais, aquela que devia mandar os mauzões para a prisão e proteger os sofredores, mas que tem protegido os "mauzinhos" e mandado para a prisão os "sofredores(zãos)" (assunto pelo qual, também, não vou entrar por não vir ao caso). E irrefutavelmente vivemos situações que poderiam ter sido mais felizes e mais justas, mas que não foram. E assim é , porque assim tem sido.
O que podemos nós, os filhos, fazer? Somente podemos aceitar aquilo que eles, os pais, decidem, fazem e dizem, porque quem somos nós para lhes dizer o que está certo ou incorrecto? Não somos rigorosamente ninguém. Reduzo-me à minha insignificância e digo, para mim mesma, "Nunca, mas nunca, vou ser assim, incorrecta com os meus filhos!", depois algo me diz: "Nunca digas nunca." e lá eu reformulo o meu pensamento, "Vá, vou tentar ter o cuidado de não cometer esta injustiça que cometeram comigo.".
Pais nós, os vossos filhos, sabemos que não é fácil ser pai e criar um ser tão especial para vocês (espero eu que o seja), mas nunca esqueçam ou melhor, tentem ter o cuidado de não esquecer que para nós, os vossos filhos, a tarefa também não é a mais fácil, não se esqueçam que estamos a conhecer-nos a nós próprios e ao que nos rodeia, que estamos a aprender a viver e a aceitar aquilo para que fomos enviados e acima de tudo, não esqueçam que não pedimos para nascer.